Saiba tudo sobre o futuro da Indústria

Em 25 de maio, celebramos o Dia da Indústria. O setor, como você já deve saber, representa a maior porcentagem da economia nacional; aqui no Brasil ganhou força, principalmente, a partir do governo de Juscelino Kubitschek.

Por isso, preparei para hoje algo super especial sobre o futuro da indústria: uma entrevista com o colega de longa data Eugenio Cesare. Ele, que tem 36 anos de experiência na gestão de operações industriais complexas em empresas do setor automotivo como Ford, GM e Hyundai, agora atua com consultoria e assessoria em Gestão Industrial, e discorreu sobre uma tendência que vem crescendo cada vez mais.

Ficou curioso para saber qual? Continue lendo o artigo e descubra!

 

MUNDO FACILITIES: A Indústria 4.0 é uma realidade na Europa e nos Estados Unidos. Você acredita que aqui no Brasil essa realidade ainda está longe?
EUGENIO CESARE: A inteligência artificial, junto com a IoT (Internet das Coisas), é o que está fazendo a 4ª Revolução Industrial acontecer. Nós estamos criando máquinas que desenvolvem a capacidade de aprender, essa é a realidade da Indústria 4.0.
Durante muitos anos, o custo da mão de obra e recursos naturais seriam os atrativos para as indústrias se instalarem em países como o Brasil. Porém, com a evolução de novas tecnologias e dos novos conceitos e modelos de administração de negócios, a produtividade hoje se baseia na Inteligência e na Gestão da Informação.
Um produto ou serviço pode ser desenvolvido, produzido e distribuído de qualquer lugar do mundo, e está à disposição do cliente, online. O supply chain é global, agora.
Esta realidade não é exclusiva do Brasil. O mundo todo está diante desse desafio. O cliente não paga mais pela ineficiência da indústria, seja ela 4.0 ou não.

 

MF: Quais os principais desafios que a Indústria brasileira enfrentará para migrar para a Indústria 4.0?
EC: O desafio chama-se competitividade.
O Brasil tem centros industriais tecnológicos altamente desenvolvidos. Entretanto, talvez nem todos os segmentos da indústria estejam, hoje, no mesmo patamar de competitividade global.
Então, o que fazer?
Eu recomendo que as empresas busquem implementar ferramentas de operação e gestão baseadas na coleta de dados e no processamento das informações, para tornar as decisões mais rápidas, descentralizadas e eficazes. Melhorando a qualidade e reduzindo desperdícios nas operações, seja no chão de fábrica, nas engenharias ou nas áreas de suporte.
São inúmeros os sistemas e softwares disponíveis que integram com as operações atuais, melhorando controles dos processos de fabricação.
A adaptação pode e deve ser gradual, focada na eficiência, redução de custos e em direção à competitividade. Ou seja, tem que estar focado no cliente.

 

MF: No seu ponto de vista, a pandemia do COVID-19 pode atrasar ou adiantar essa transformação para a 4ª Revolução Industrial?
EC: Algumas empresas paralisaram ou reduziram drasticamente suas atividades por um longo período. Alguns negócios terão que se adaptar ao novo perfil dos clientes.
Num primeiro momento, é necessário rever as estratégias das organizações, buscar mais produtividade e ajustar as operações às novas demandas do mercado; como disse antes, aplicar suporte de sistemas e softwares que possam ajudar, agilizar a busca pela eficiência nas operações e inserir a empresa no contexto da competitividade global. Além de melhorar o desempenho, caminharão em direção à Industria 4.0.
Parafraseando Darwin, as indústrias que melhor se adaptarem às mudanças serão as que sobreviverão.

 

MF: Liderança é sempre uma peça importante na gestão. Qual o papel do líder nessa transformação dos meios de produção que estamos vivendo?
EC: Um líder sem uma estratégia é apenas um sonhador. Por outro lado, uma estratégia que não seja compartilhada ou que não seja entendida por toda a organização não irá conduzir a empresa a longo prazo.
O caminho para o engajamento de todo o pessoal na organização passa impreterivelmente pela confiança que os empregados têm em seus líderes.
Promover a confiança no ambiente corporativo é papel do líder, por meio do compartilhamento, do diálogo e da prontidão em prover o suporte na intensidade e no momento adequado.
Principalmente na gestão de crises, como essa pela qual estamos passando, é dever do líder desenvolver, em todos, o senso de propriedade nas metas do negócio.

 

MF: Uma nova geração de profissionais está entrando no mercado de trabalho em meio a esse turbilhão de mudanças. Qual o seu recado para eles?
EC: Assim como os empregadores esperam muita contribuição das pessoas, a fim de que elas se sintam muito mais do que apenas empregadas para uma determinada tarefa, eu aconselharia que os novos profissionais adotassem uma nova postura: de empreendedores, de parceiros de negócio.
O maior risco para um profissional é a acomodação. A zona de conforto diminui a nossa energia para buscar o novo.
É na crise, na turbulência, que se formam os melhores profissionais.

 

Eugenio CesareEugenio Cesare é especialista em assessoria e consultoria em gestão industrial.
Trabalhou durante 36 anos para renomadas empresas, como a GM e Hyundai.
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