UMA CARREIRA COMO PCD

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Entrevista com Welder Ferreira sobre sua trajetória de sucesso profissional como PCD

Há algum tempo, tive a oportunidade de registrar uma conversa com Welder Ferreira, ex-colaborador da Villares Metals (onde trabalhamos juntos), sobre sua experiência inicial na empresa, sua ascensão profissional, desenvolvimento de novas competências e habilidades. 

A história de sucesso do Welder mostra como o estímulo pertinente à descobertas pessoais de potencial intelectual de uma PCD pode quebrar barreiras que parecem intransponíveis para quem viu muitas portas fechadas durante sua formação.

Welder, primeiramente, nos dê um resumo da sua carreira.

“Bom, minha trajetória profissional começou em uma multinacional do ramo siderúrgico, onde ingressei em 2006. Já na entrevista percebi que eles identificaram um potencial muito grande, tanto que a vaga para qual fui convocado à entrevista era para trabalhar na portaria, no controle de acessos e acabei sendo admitido na equipe de facilities. Ali comecei uma grande carreira dentro desta empresa, onde trabalhei por 10 anos. 6 meses após meu desligamento, eu já estava em outra multinacional do ramo de auto-peças, no departamento de planejamento de manutenção, onde trabalhei por 2 anos. Atualmente estou em outra multinacional do ramo alimentício, agora no departamento de logística.” 

Um ponto muito importante na trajetória do Welder é que ele não tinha experiência prévia na área em que foi contratado, entretanto, uma primeira boa impressão foi determinante para sua contratação; essa é uma lição para os líderes: o potencial de um candidato é algo muito subjetivo, especialmente no caso de PCDs – (confira o Módulo 2 do nosso curso — Gestão do Time de Facilities — para mais conteúdo sobre gestão de equipes e liderança)

Sua primeira oportunidade, em 2006, foi junto a uma grande multinacional. Como isso moldou sua trajetória profissional? 

“Nunca tinha trabalhado em uma multinacional, e a oportunidade nesta empresa siderúrgica foi um salto muito grande e importante para meu currículo. Fui responsável pela gestão de manutenção da frota de veículos, e, dentro do departamento de serviços gerais, pude adquirir outras funções e outras responsabilidades que me alavancaram profissionalmente dentro da empresa.” 

Os benefícios de colaborar com uma grande organização vão além dos nominais (um bom número no holerith, planos de saúde, vales, etc.); as grandes empresas propõem melhores planos de carreira, algo por vezes até inexistente em certas atividades empresariais de pequeno porte. 

Uma boa explicação para isso é que nesses ambientes as posições de liderança raramente são ocupadas por alguém despreparado ou inexperiente.

Vamos falar um pouco sobre liderança. Qual foi a importância do líder no seu

desenvolvimento? 

“Foi muito importante ter a confiança do meu gestor; desempenhei funções de extrema confiança dele, sendo responsável por assuntos de gestão ambiental do nosso departamento, toda documentação e todos os procedimentos eram concentrados em mim, e meu gestor tinha total confiança nas minhas atividades dentro do departamento. Especialmente durante auditorias ambientais tanto internas quanto externas, mesmo tendo limitação de movimento do membro esquerdo, sempre tive total respaldo do meu gestor no desempenho das minhas funções e desenvolvimento das minhas habilidades, e isso é motivação para que todos que tenham algum tipo de limitação também explorem seus conhecimentos.” 

Existem muitas histórias como a do Welder, em que o que parece um paradigma inquebrável é vencido por uma demonstração de aptidão bem reconhecida e trabalhada.

Na sua trajetória profissional você atuou em grandes empresas, onde a competição é acirrada. Qual tem sido, na sua opinião, o seu diferencial?

“Acho que fui sempre muito disposto a expandir meus horizontes, e não tive medo de mostrar minha capacidade e de propor mudanças positivas nos ambientes onde trabalho. Meu maior desafio com certeza foi na minha primeira experiência profissional. Hoje muitas empresas dão oportunidade a PCDs, não para cumprirem cotas, mas para poder aproveitar de alguma forma o potencial que elas têm, e foi o meu caso. Conheço muitos PCDs que são um diferencial dentro das empresas em que trabalham, com diversos cargos diferentes, de auxiliar de produção a advogado interno. Sem dizer que as cotas não garantem emprego vitalício; sou prova viva de que a deficiência não me segurou nem em um cargo que tive por 10 anos (a crise mundial provocou uma readequação do quadro de colaboradores na empresa, quando, mesmo sendo PCD, também fui desligado).”

Por fim, fica mais uma experiência do Welder com a qual todos podem aprender: acima de tudo, quem faz sua carreira é você.

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